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O LIMEIRENSE |
| O portal virtual da cidade de Limeira Estado de São Paulo Brasil |
| _Atualizado até 25 de abril de 2005. | www.olimeirense.com.br_ |
O LIMEIRENSE São cinco artigos nesta página:
Maria Helena Cardoso *
A partir desta edição, volta para a história limeirense o marco da imprensa local. Fundado em 14 de setembro de 1873, um dia antes do aniversário de Limeira, O Limeirense tem muita história para contar desses 126 anos. Foi fundado pelo Dr. Virgilio Pires de Camargo e Albuquerque, médico baiano, após um importante encontro do então Partido Republicano em São Paulo, onde se decidiu pela criação e propagação da imprensa em todo o interior paulista, a partir de quando, diversos jornais surgiram. O Limeirense teve duas principais fases em sua história. A primeira perdurou de 1873 à 1899 com o Dr. Virgílio Pires, fundador e redator principal e Emílio Pinto de Salles, secretário, e a segunda, mudando de formato, com novos diretores, de 1900 à 1974, com o Dr. Joaquim Augusto de Barros Penteado e Vicente de Barros, até meados de 1939. A partir de 1940, José Mendes assume O Limeirense, e mais de 30 anos depois, em 1971, peticiona ao juiz local o cancelamento da matrícula do jornal, mas depois cedendo e transferindo a marca a uma empresa da esposa do jornalista Mário Fontana, até que o jornal foi fechado em 1974. Nos anos 50, e depois em 1965, Trajano de Barros Camargo Filho assume como diretor responsável d’O Limeirense, ao lado de José Mendes e Mário Fontana. Em 1982 e 83, o jornalista Mário Fontana relança O Limeirense em formato tablóide, e posteriormente sai em 91 uma última edição. Em 1986, João Augusto Cardoso participa de importante congresso de jornais do interior no Guarujá, pelo jornal O Limeirense. A partir de 14 de janeiro deste ano, a marca O Limeirense passa legalmente para esta empresa cultural e jornalística. Os próximos passos serão o registro de domínio na internet, disponibilizando dados históricos e de interesse sobre Limeira para toda a comunidade.
A partir desta edição, a história será resgatada, elo por elo,
até finalmente se reconstituir O Limeirense, em todos os seus
aspectos históricos e jurídicos.
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Texto abaixo do nome do principal redactor -- o Dr. Virgílio Pires: "Publica-se uma vez por semana. - Terão franca inserção as publicações de interesse geral. - Toda e qualquer correspondência deve ser dirigida á redação. - Publicações e annuncios a preços convencionados. - Subscreva-se nesta typographia. - Assignaturas, tanto para a cidade como fora, 10$000 (dez mil réis) por anno. - Pagamento adiantado". Limeira comemora neste ano os 130 anos da imprensa, que teve como marco seu primeiro jornal, O Limeirense, fundado em 14 de setembro de 1873. A história da imprensa de Limeira, desde seu início e em boa parte dela, se mistura com a história do mais antigo jornal da cidade, o decano da imprensa limeirense. Nas páginas 4 e 5, publica-se um artigo do jornalista Antonio Cláudio Bontorim, com toda a história da imprensa. O Limeirense foi fundado durante a monarquia, pelo médico baiano, Dr. Virgílio Pires de Camargo Albuquerque, após uma deliberação do Partido Republicano, que se reuniu na capital paulista. Após este encontro de republicanos, diversos jornais foram surgindo em todo o interior do Estado, bem como em diversas outras localidades. Ainda que não seja possível afirmar que o intuito fora político, tudo leva a crer que uma das principais finalidades da proliferação da imprensa interiorana naquela época, seria o apoio à derrubada da monarquia de Dom Pedro II, então reinante. A primeira edição deste jornal O Limeirense, saiu em 14 de setembro de 1873, e seu fundador, o Dr. Virgílio Pires de Camargo e Albuquerque foi seu redator principal, tendo como secretário de redação Emílio Pinto Salles. O Limeirense teve duas principais fases, porém há controvérsias históricas quanto as datas que marcam essas fases, bem como da ligação entre a primeira e a segunda. Segundo registros, a primeira fase perdurou de 1873 à 1899, e a segunda de 1900 à 1974. Outras afirmações são de que a primeira fase teria avançado até 1900, quando assumiu O Limeirense em 20 de janeiro de 1900, o Dr. Joaquim Augusto de Barros Penteado, tendo como secretário de redação, Vicente de Barros. O Limeirense teve também sua terceira, e agora tem sua quarta fase de publicação. Há indícios históricos que demonstram que em sua primeira fase, o jornal semanal O Limeirense era impresso em formato não padronizado (foto ao centro), tendo em vista um melhor aproveitamento do formato do papel e, em sua segunda fase, sob nova direção, iniciou-se a impressão em formato standard, o que poderia parecer que se trataria de "outro" jornal, mas, os pesquisadores sempre têm tratado a questão abordando as "duas fases", o que somente poderia se tratar de um mesmo jornal. O que nos faz sentido é que a mudança de formato e, principalmente da direção, poderia apontar para a possibilidade de um outro jornal, porém, as datas são contíguas. No novo formato do jornal e com nova direção, começou-se a contar novamente as edições, e segundo o engenheiro Nelson de Barros Camargo (1915-1993), o que seu parente pretendia era "grafar uma nova era, em consonância com o novo século", o que certamente pode causar confusão dos pesquisadores. Em seu precioso e histórico trabalho sobre os 130 anos da imprensa em Limeira, o maior e mais completo, tanto em qualidade quanto em quantidade, o jornalista Antonio Cláudio Bontorim cita estas duas fases do jornal O Limeirense, fundamentado nas afirmações do jornalista Gastão Thomaz de Almeida, publicada na obra "Imprensa do Interior – Um Estudo Preliminar", 1983. Em sua obra "História de Limeira", 1967, o médico Reinaldo Kuntz Busch, não menciona ambas as fases, citando apenas a primeira, marcada pelo seu início, porém não apontando a transição. Entretanto o próprio Busch cita em seu mesmo livro que Trajano de Barros Camargo Filho foi diretor do jornal O Limeirense em 1952, ou seja, em sua segunda fase. Essa fase teve início, seguramente, no final do século XIX, em novembro de1899, quando o Dr. Joaquim Augusto negociava o jornal O Limeirense, e o preparava para sua trans-formação, cuja publicação saiu em janeiro de 1900 em formato standard. Em 1940, assume O Limeirense o jornalista José Mendes, cidadão crítico, consciencioso, que o dirigiu até 1971. Já nos anos 60, além de seu proprietário José Mendes, o jornalista Mário Fontana era seu redator-chefe. Na edição nº 6.277 do jornal O Limeirense, de 31 de janeiro de 1965, matéria de primeira página informa que "assume hoje a responsabilidade desta folha um dos mais ilustres filhos de Limeira. Trata-se de Trajano de Barros Camargo Filho que vai continuar a linha política de apoio ao Dr. Adhemar de Barros, dentro da tradição e da justificação histórica de ‘O Limeirense’." [...] Nessa época O Limeirense era bi-semanal. Em 1971, José Mendes chega a requerer ao juiz local o cancelamento da matrícula do jornal O Limeirense, posteriormente cedendo e transferindo a marca para a empresa da esposa de Mário Fontana, pois como italiano, pelas constituições federais anterior e a atual vigente, estrangeiros não podem ser proprietários de órgãos de imprensa no Brasil. Fontana conduz O Limeirense até 1974 quando por motivos diversos, história que ele mesmo relatou, vítima de uma ação judicial, viu-se obrigado a fechar o jornal, marcando o fim da segunda fase. No início do século XX, em 1907, O Limeirense foi jornal diário, tendo depois de algum tempo voltado a ser periódico, passando por tri-semanal e bi-semanal. Foi também semanário, retornando a ser novamente um forte e importante jornal diário já nos últimos anos de sua segunda fase. Uma terceira fase se inicia em 1982 e 83, quando o jornalista Fontana voltou a publicar O Limeirense, em formato tablóide. Em 1986, pessoalmente estive representando o jornal O Limeirense no 5º Congresso de Jornais do Interior, organizado pela Associação dos Jornais do Interior de São Paulo - ADJORI, que ocorreu no Guarujá. Nesse mesmo ano, Mário Fontana vende os direitos de publicação do jornal para o deputado estadual Jurandyr da Paixão de Campos Freire Filho (participei das negociações), mas ao descobrir a existência de um grande débito junto ao INSS (antigo INPS), abandonou a idéia de republicá-lo e após dado tempo, legalmente veio a perdê-los. Em 1991, o jornalista e mestre em comunicação social Mário Fontana, (meu grande mestre), lança uma última edição deste jornal O Limeirense.
A
partir de janeiro de 1999, a marca O Limeirense passa legalmente
para esta empresa cultural e jornalística, e em setembro desse
mesmo ano, é lançada uma edição comemorativa em formato standard,
repetindo-se nos anos de 2000, 2001 e 2002, seguidas por esta edição
comemorativa dos 130 anos da imprensa limeirense, marcando a quarta
fase deste jornal decano. Em outubro de 1999, é lançado um site
de internet, com o domínio O Limeirense, no endereço: www.olimeirense.com.br.
_________________ Limeira comemora seus 130 anos de imprensa Sílvio Custódio
de Almeida *
Em setembro, a imprensa limeirense completou 130
anos de história, marcada pela edição do primeiro jornal da cidade,
O Limeirense, fundado em 14 de setembro de 1873, pelo médico, Dr.
Virgílio Pires de Camargo Albuquerque, do partido republicano. De 1873 à 2003, são 130 anos de história, onde
foram protagonistas diversos jornais históricos que datam do século
XIX, como o próprio "O Limeirense", o jornal "Estrela
d’Oeste", que surgiu em dezembro de 1873, o "Democrata",
em 1878, o "Clarim", em 1885, a "Tribuna do
Oeste", em 1886, o "Correio de Limeira" em
1888, de João de Quadros Sobrinho, o "Colibri", também
de 1888 e o "Trem", de 1889, ano da proclamação da
república.
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* Sílvio Custódio de Almeida é jornalista e foi editor do "Jornal do Parque" (1993-1995). 1904-2004 -
Centenário de Nascimento de
O jornalista, advogado e professor Vitorino Prata Castelo Branco nasceu em Itirapina-SP, em 29 de janeiro de 1904, mas foi em Limeira, no jornal "O Limeirense", que este visionário – o precursor do ensino de jornalismo no Brasil – iniciou sua carreira de jornalista no final dos anos 20 e início dos anos 30. Filho dos lavradores Pedro Castelo Branco e Leonor Prata Castelo Branco, foi casado com Beatriz Paula de Abreu Castelo Branco com quem teve três filhas: Ana Leonor, Beatriz e Maria Aparecida Castelo Branco. Morreu em São Paulo em 27 de setembro de 1994, aos 90 anos. Em 1926, Castelo Branco vem de Rio Claro para Limeira, onde participa ativamente da vida social e intelectual da cidade, contribuindo para a revista teatral "Ave Limeira", que publicou 25 números de música dos maestros Francisco Puzzone e Mário Monteiro. Mais tarde, colaborou com "O Limeirense" durante vários anos quando era diretor Luciano Araújo, e posteriormente fundou e dirigiu os jornais periódicos "O Commercio" e "Pátria". Em Matão, dirigiu o periódico "Mocidade" e colaborou com "A Comarca"; e em São Paulo, fundou e dirigiu a revista "Cursos", da Associação Educacional de São Paulo. A edição de 25 de maio de 1924 do semanário limeirense "A Berlinda", trouxe em sua primeira página a poesia "Saudação", que homenageia o jovem poeta, dentre outros, em seus versos:
Neste mesmo período, em conjunto com outros intelectuais de Limeira, Castelo Branco intentou fundar uma Academia de Letras aos moldes da Academia Brasileira e da Francesa, porém, seguiu outros rumos, dedicando-se ao ensino e posteriormente à advocacia. A vida acadêmica de Vitorino Prata Castelo Branco foi bastante rica. Concluiu o ensino primário em Itirapina e o secundário em Rio Claro. Formou-se em Ciências e Letras e cursou Ciências Contábeis no Instituto Comercial do Rio de Janeiro. Em 1942, concluiu o curso de jornalismo na Sociedad Argentina de Periodismo y Redacción. Em 1956, bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, tornando-se advogado, e doutorou-se em Direito na Universidade de São Paulo, em 1958. Ainda, cursou e especializou-se em Filosofia do Direito, Medicina Legal, Psicologia Jurídica, Criminologia e Jornalismo. Além de jornalista, Castelo Branco foi professor da Escola Normal de Limeira e diretor do Colégio São José; e da Escola Técnica de Comércio Professor Arthur Bilac, de Rio Claro. Quando chegou em São Paulo, em 1937, fundou a Associação Educacional de São Paulo, voltada a cursos populares, por correspondência. Também foi professor da Faculdade de Direito de Guarulhos, da Faculdade de Administração de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Direito. Foi também diretor do Instituto Comercial de Limeira e posteriormente do Instituto Paulista de Comércio; presidente da Sociedade Brasileira de Direito Criminal e membro do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Associação Paulista de Direito e da Sociedade de Criminologia de Paris. Na Associação Educacional de São Paulo, a partir de 1937, Castelo Branco ministrou vários cursos, e dentre eles, "A Arte da Propaganda". Após concluir o curso de jornalismo que fez em Buenos Aires, Argentina, lançou no Brasil em 1943 seu próprio curso livre de jornalismo, o primeiro curso de formação de jornalistas do país, que posteriormente foi compilado em livro, dando origem à obra "Curso de Jornalismo", publicado em 1945. Um ano antes publica a obra "Jornalistas de Todo o Brasil – Uni-vos". Castelo Branco foi duramente criticado pela imprensa, acusado de charlatanismo por oferecer um curso de formação de jornalistas, numa época em que não havia no Brasil nenhum curso formal de jornalismo, mesmo sendo ele diplomado. O caso teve grave repercussão, e em 15 de outubro de 1944, a "Folha da Manhã" publica um artigo com sua defesa ao curso de jornalismo, e algum tempo depois, muito magoado com a situação, Castelo Branco vai abandonando a área e começa a se dedicar ao Direito em 1952, e como advogado, especializa-se em Direito Penal, publicando as obras "O Advogado em Ação - Pronto Socorro Jurídico Penal", "Como se Faz uma Defesa Criminal" e "Da Defesa dos Crimes Contra o Patrimônio". A ironia das duras críticas da imprensa à Castelo Branco quanto ao curso de jornalismo é que, pouco tempo depois, em 1947, foi fundada em São Paulo a Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Mais tarde, em 1976 recebeu o prêmio Aníbal Freire da Academia Brasileira de Letras, e em 1984, recebeu homenagem da Universidade de São Paulo como o pioneiro do ensino de jornalismo no Brasil. Dois anos depois, a Universidade de São Paulo - USP, iniciou seu primeiro Curso de Aperfeiçoamento de Professores de Jornalismo em conjunto com a Editora Abril e Gazeta Mercantil, em cuja abertura, Vitorino Prata Castelo Branco recebeu das mãos da Ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, uma medalha, em reconhecimento ao seu pioneirismo no ensino do jornalismo brasileiro. Muito emocionado, agradece dizendo: "me considero perfeitamente pago pela minha idéia jovem de quarenta anos atrás". Desde então, jornalistas de todo o país vêm rendendo justas homenagens ao precursor do ensino do jornalismo no Brasil. Dentre eles, o professor Osni Dias, mestre em comunicação social, proferiu conferência na Universidade Federal de Santa Catarina sobre os 60 anos do ensino do jornalismo no Brasil, em 2003, e publicou artigos sobre Castelo Branco. Também, o professor José Marques de Melo, doutor em ciências da comunicação e livre-docente, publica artigo na revista mexicana "Etcétera - Una ventana al mundo de los médios", sobre os precursores do ensino de jornalismo na América Latina, onde cita os brasileiros Castelo Branco e Carlos Rizzini. O "Dicionário" do Portal do Jornalismo Brasileiro, produzido pelo Grupo de Estudos do Núcleo de Jornalismo Comparado da ECA/USP, sob a direção do professor doutor José Marques de Melo, vinculado ao Programa de Pós-graduação do Departamento de Jornalismo, dedica um verbete ao pioneirismo de "Vitorino Prata Castelo Branco", com crédito de Marcelo Januário. Por fim,
"O Limeirense" não poderia deixar de registrar e dedicar
fato tão importante para o jornalismo brasileiro e, principalmente,
para a história da imprensa limeirense, ao jornalista, advogado e
professor doutor Vitorino Prata Castelo Branco, precursor do ensino de
jornalismo no Brasil, que iniciou sua brilhante carreira neste jornal,
no qual se resgata a história e memória deste idealista e visionário,
prestando-lhe justa homenagem no centenário de seu nascimento:
1904-2004. O Limeirense é notícia no Jornal de Limeira Trajano de Barros Camargo Filho *
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