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O LIMEIRENSE |
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HISTÓRIA DE LIMEIRA Pesquisa e Redação: Benedito Carlos Toledo Lima Ano de fundação: 1826 Data
de comemoração do aniversário: Padroeira
do Município: História
da Fundação História da Fundação A povoação de Limeira foi Fundada no ano de 1826, sob os auspícios do Capitão LUIZ MANOEL DA CUNHA BASTOS, o Fundador. Não devemos confundir a vinda dos primeiros povoadores das terras do Morro Azul e Tatuhiby ( atraídos pela fertilidade das mesmas, antes do censo de 1822), com o aparecimento da povoação à margem da estrada Morro Azul a Campinas, aberta em 1826. Foi sem dúvida a existência dessa estrada que condicionou o nascimento do povoado, próximo do ribeirão Tatu, onde segundo a tradição havia o Rancho Limeira. O fato histórico da fundação se baseia em que as primeiras casas construídas na beira da estrada e o próprio Rancho da Limeira se localizavam em terras da extensa propriedade do Capitão Cunha Bastos, dono dos sítios do Tatu e da Lagoa Nova. Capitão Cunha Bastos, era português de nascimento, militar de carreira e exerceu cargo público em São Paulo, onde residia. Nessa época, com 38 anos, solteiro, afastado da vida pública, era comerciante na capital e grande proprietário nesta região, desde que em 1820 comprara parte da sesmaria do Saltinho, do T.te. Ignácio Ferreira de Sá, e outras terras. Está comprovado que Cunha Bastos não se apôs à instalação dos primeiros estabelecimentos à beira da estrada recém-aberta, que cruzava as suas terras e que, em 1826 ou pouco antes, deu ele o seu consentimento para a formação do povoado e para ser construída a Capela de Nossa Senhora das Dores de Tatuhiby, na "sua sesmaria". Esse consentimento verbal só foi oficializado anos depois, através de uma escritura pública de doação, feita em 26 de fevereiro de 1832, medida essa de iniciativa do Senador Vergueiro, que havia fundado a Sociedade do Bem Comum de Limeira e desejava ver regularizada a situação. A escritura foi lavrada na residência do Senador, no seu Engenho de Ibicaba, por Paulo José Pinto, o primeiro Escrivão de Paz da Freguesia de Limeira. Dela transcrevemos este trecho: "foi dito em presença das testemunhas adiante nomeadas e assignadas, que era senhor e possuidor de sesmaria, dentro de cujo terreno se havia fundado com o seu consentimento a Povoação de Limeira e edificada uma Capella com a invocação de Nossa Senhora das Dores... hoje elevada a Freguezia, e de uma muito livre vontade doava de hoje para todo o sempre a dita povoação, a Capella, um quarto de légua em quadra, no rumo dos fundos da dita sesmaria, ficando a Capella em meio..." (Esclarecemos que um quarto de légua em quadra correspondia a um quadrado com 1.650 metros de cada lado, equivalente a 112,5 alqueires.) - No livro de Registro da Capelas da Cúria Metropolitana, em São Paulo consta a seguinte anotação: "Limeira. Teve início esta povoação no ano de 1826, edificando-se logo uma capella que teve o título de nossa Senhora das Dores de Tatuhiby. Foi o Curato em 3 de fevereiro de 1831, sendo expedida na mesma data a provisão da benção da respectiva Capella". - Os dois documentos acima citados esclarecem devidamente a origem da nossa cidade. São considerados Patronos da Fundação, o Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro; Bento Manoel de Barros, o Barão de Campinas; José Ferraz de Campos, o Barão de Cascalho e Antônio José da Silva Gordo primeiro Juiz da Freguesia. Como Beneméritos da Fundação, o Alferes Joaquim Franco de Camargo, aqui chegado em 1827, e Olivério Benedito Penedo, que veio para Limeira por volta de 1832, ambos cidadãos prestantes à coletividade nos primórdios de nossa formação. Origem do nome do município Diz a tradição que costumavam os bandeirantes descansar num pouso situado a 27 léguas de São Paulo, às margens do ribeirão Tatuhiby, denominação dada pelos silvícolas, que em tupi-guarani significa tatu-pequeno. Esta região ficara conhecida nos roteiros dos bandeirantes como sertões do Tatuhiby e o pequeno pouso chamava-se rancho do Morro Azul, pela sua proximidade de uma elevação que à distancia tinha matizes azulados. A origem de LIMEIRA e do seu nome estão diretamente ligados a esse fato e a um acontecimento lendário e consagrado, que todos os relatos invariavelmente situam no ano de 1781 e que passamos a narrar. "Nesse ano, uma caravana que se dirigia aos sertões de Araraquara acampou na margem do Ribeirão Tatu na baixada onde desagua o córrego do Bexiga (hoje canalizado por baixo do Mercado e da fábrica de papelão). Dela fazia parte um franciscano, frei João das Mercês, que ia em missão de cristianizar os gentios. No seu picuá trazia algumas limas, cujo suco diziam ser preventivo de febres malignas. Contam que durante a noite sentiu-se mal e, contorcendo-se de dores, clamava que as limas que comera estavam envenenadas. Morreu de madrugada e conta a lenda, ali mesmo foi sepultado. Ao lado de uma cruz improvisada foi enterrada também a sacola com as limas restantes, que ninguém se atreveu a comer. Teria brotado aí uma dadivosa limeira, nascida das limas do infortunado frade. Os viajantes continuaram a pousar nesse recanto que passou a ser o RANCHO DA LIMEIRA. Elevação à Vila (1842) Coube ao Dr. Vergueiro, como deputado provincial, a iniciativa da elevação da Freguesia à categoria de Vila. Na sessão de 29 de janeiro de 1842 apresentou o seguinte projeto: "A Assembléia Legislativa Provincial decreta: Artigo 1º - Fica erecta em Vila a Freguezia de Limeira, compreendendo no seu termo o distrito da mesma Freguezia e o da de São João de Rio Claro e de Pirassunga. Artigo 2º - Fica revogado a Lei em contrário". Limeira e Rio Claro eram freguesias da Vila da Constituição, desde 1830. Pirassunga pertencia a Mogi Mirim e foi elevada a freguesia em 4 de março de 1842. Quando Limeira foi elevada a Vila, pela Lei n.º 25, de 8 de março de 1842, as freguesias e distritos de Rio Claro e Pirassunga ficaram lhe pertencendo. As conseqüências da revolução liberal de 1842 diminuíram a influência do Dr. Vergueiro e causaram dificuldades político-administrativas que levaram o governo a excessiva demora para expedir a portaria autorizando a instalação da Vila e da Câmara Municipal, que só ocorreu em 22 de julho de 1844. Instalação da Câmara Municipal (1844) Apesar de Limeira ter sido elevada a Vila no ano de 1842, a instalação da Câmara Municipal só se efetivou em 22 de julho de 1844, com a posse dos seis vereadores eleitos. A primeira Câmara era assim constituída: Presidente, o vereador mais votado, o capitão Manoel José de Carvalho. Vereadores: Antônio José da Silva (Gordo), Antônio Luiz da Rocha Camargo, Rafael Antônio de Sampaio, Antônio Alves de Almeida Lima e José Pedrozo do Amaral. Esta Câmara só esteve em exercício seis meses, pois, logo em 7 de janeiro de 1845, tomaram posse os membros da Segunda Câmara, sob a presidência de Antônio José da Silva (reeleito), sendo vereadores, o Capitão Manoel José de Carvalho (reeleito), Antônio Luiz da Rocha Camargo (reeleito), Rafael Antônio de Sampaio (reeleito), Odorico Nunes de Oliveira e Olivério Benedito Penedo. O secretário dessas duas Câmara foi o professor Aurélio Justino Franco, aliás, o regente da primeira escola pública que Limeira possuiu, que em virtude da revolução de 1842 fôra suspenso de suas funções por prazo indeterminado e que só as pôde reassumir em 1844, quando foi baixado um decreto de anistia geral. Registro paroquial de terras O Decreto 1.318, de 30 de janeiro de 1854, regulamentou que os donos de propriedades deviam fazer o registro das mesmas, indicando a sua localização, dentro do prazo de dois anos. No município de Limeira foram feitos 257 registros em livro próprio, do qual existe cópia no Arquivo do Estado, em São Paulo. Nome de proprietários, que de alguma forma foram ligados à história de Limeira: Antônio Ferraz de Campos, bairro da Logoa Nova e bairro da Geada; Antônio de Almeida Lima, Fazenda Santo Antônio; Antônio Luiz da Rocha Camargo, bairro da Geada; Antônio Leite de Barros, no bairro Córrego do Meio; Bento Manoel de Barros, Fazenda São Bento; Cândido José da Silva Serra, bairro do Tatu; Francisco José Pires (Chico Pires), Fazenda do Feltal; Francisco Antônio de Souza Queiroz, Fazenda São Jerónimo; Guilherme Whitaker, Inglês chegado em 1830, bairro do Ribeirão do Pinhal; Helnrich Brammer ( do Holstein), já no bairro dos Pires; João José Sampaio, bairro Ribeirão das Arêas; João Leite Barbosa, bairro do Pinhal; alferes Joaquim Franco de Camargo, Fazenda Morro Azul e Fazenda Montevidéo; Joaquim da Silva Diniz, Sítio do Meio; José Ferraz de Campos, bairro do Cascalho, bairro da Água Branca e bairro das Cabeceiras do Ribeirão Cascalho; Manoel Ferraz de Camargo, Fazenda Duas Barras e bairro Morro Azul; Manoel José de Carvalho, bairro do Porto; Odorico Nunes de Oliveira, Sítio do Ribeirão; Olivério Benedito Penedo, bairro dos Pires; Raphael Antônio de Sampaio, bairro do Córrego do Meio; Philadelpho do Amaral Campos, bairro do Tatu; Silvério Rodrigues Jordão, Fazenda Morro Azul; Thomaz da Cunha Bueno, bairro de Salto de Pinhal; e Vergueiro & Cia., Fazenda Ibicaba. Também Reginaldo Antônio de Moraes Salles, tutor dos órfãos José, David e Flamínio Ferreira de Camargo, no bairro do Sítio Velho. Os bairros, fazendas, sítios e chácaras registradas são: os bairros - das Araras, do Sítio das Araras, dos Lopes, da Geada, do Ribeirão da Geada, da Graminha, do Porto, do Porto de Cima, do Porto de Baixo, do Ribeirão do Porto, do Engenho Velho do Porto, do Pinhal, do Ribeirão do Pinhal, do Pinhal do Meio, do salto do Pinhal, dos Pires, da Boa Esperança, da Lagoa Nova, do Bebedouro, do Ribeirão da Sepultura, do Córrego do Meio, do Córrego Bonito, do Córrego do Barreiro, do Córrego da Barroca Funda, do Mato de Dentro, do Tatú, do Morro Azul, do Monjolinho, do Cascalho, das Cabeceiras do Ribeirão Cascalho, do Sítio Velho, do Sítio do Meio, do Feltal, da Água Branca, Gualabal, do Rio Piracicaba, do Facão, do Ribeirão das Arêas, do Pedro Franco e Retiro; as Fazendas - Santo Antônio, São Bento, São Jerónimo, Morro Azul, Ibicaba, Feltal, Montevidéo, Duas Barras e Retiro; os Sítios - das Palmeiras, do Barreiro, do Funil, do Ribeirão e a Chácara Barroca Funda. - No início dos anos sessenta, o Município de Limeira estava em franco desenvolvimento. Os antigos engenhos deram lugar aos grandes cafezais. A cultura do café expandia-se cada vez mais, tanto nas grandes propriedades como nas novas fazendas que se abriam. A Fazenda do Ibicaba, que iniciara essa cultura em 1828 com 6.000 cafeeiros, possuía 1.250.000 pés no ano de 1863. Pertencia agora aos filhos do falecido Senador Vergueiro. Havia também as culturas do algodão e dos cereais, um considerável aumento na criação de gado de muares e de suínos, e um visível crescimento urbano da vila. Tudo isso levou os limeirenses a almejar a elevação da Vila à categoria de Cidade. Os Políticos e as pessoa de importância pressionavam o governo da província nesse sentido. Rio Claro já havia passado à dianteira de Limeira quando, em 1857 por influência dos Vergueiros e de seus prestigiosos amigos, elevara-se a cidade. O Senador Vergueiro já havia falecido e coube desta vez ao Barão de Rio Claro, apresentar o projeto. "Limeira foi elevada à categoria de cidade pela Lei n.º 2, de 18 de abril de 1863". DATA DE EMANCIPAÇÃO: 18 DE ABRIL DE 1863. Limeira em 1873 Segundo consta do Almanaque da Província de São Paulo de João Baptista Luné e Paulo Delfino da Fonseca, relacionamos abaixo as autoridades da época, funcionários públicos e outros: Presidente da Câmara e Intendente: Tenente Coronel Joaquim Sertório. Vereadores: Capitão José Gonçalves Sampaio, Capitão José Joaquim de Abreu Sampaio, Capitão Olegário Ferraz, Capitão José Florêncio de Souza, Tenente Francisco Simões Costa Moraes, Alferes Jacinto José de Araújo Cintra, Alferes José Ferraz de Camargo e Francisco de Assis Silveira. Advogados do Fórum: Eziquiel de Paula Ramos, Francisco da Costa Carvalho, José de Barros Duarte e José Marques de Oliveira Ivahy. Coletor: Francisco Simões da Costa Moraes Escrivão: Alferes Francisco Eugênio das Chagas. Escrivão de Polícia: Antônio José de Mendonça Júnior Juízes de Paz: Capitão Bento da Silveira Franco, Capitão J. J. Abreu Sampaio, Tenente João Soares Pompêo e Capitão Manoel Ferraz de Camargo. Agente do Correio: Tenente Manoel Diniz Boa Nova. Sub-delegado: Alferes Francisco Eugênio das Chagas. Vigário da Matriz: Padre José Vitorino de Souza Azevedo. Coadjutor: Padre Antônio Novaes. Presbítero: Padre Júlio Michel. Fabriqueiro da Matriz: Tenente João Soares Pompêo. Sacristão: João Silveira de Godoy Arruda. Professores: Augusto Joaquim do Amaral, Augusto Pinto da Silva Saes e Maria Emília Keller de Arruda. Médico: Virgílio Pires de Carvalho. Farmacêuticos: Felix José Monteiro, Honório Hermeto Peixoto de Melo e João Baptista Tavares. A Comarca (1875) A Comarca de Limeira foi criada em 20 de abril de 1875, data em que o Presidente da Província, João Theodoro Xavier de Mattos sancionou a respectiva lei, de n.º 37. A instalação da Comarca deu-se a 1º de julho de 1875. Pela lei acima citada, desmembraram-se da Comarca de Rio Claro os termos de Limeira e da Vila do Patrocínio das Araras, que passaram a constituir a nova Comarca de Limeira. Assumiu como primeiro juiz da Comarca o Dr. José Fellipe de Toledo. Instala-se também o Cartório de Registro Civil, tendo como escrivão Manoel Vianna Sobrinho. Os primeiros registros são feitos no mês de novembro de 1875. No dia 24, encontramos no Registro de Óbitos o falecimento do menor livre João, de doze meses, falecido no dia anterior de ataque de vermes. No dia seguinte, 25 de novembro, é lançado no 1º livro do Cartório o nascimento de uma criança do sexo feminino, nascida no dia 13 “que vai ser hoje batizada com o nome de Olívia”. E no dia 27, o casamento de José Hidalgo e Luiza Maria Carneiro. Sugestão de incluir a História de Limeira neste portal www.olimeirense.com.br : Fabrício Diego Cardoso (aluno da 6ª série da EEPSG Gabriel Pozzi em 1999).
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