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De 1873 a 2003: Os 130 anos de História da Imprensa e o Desenvolvimento da Comunicação em Limeira*
Antonio Cláudio Bontorim**
A propósito do título acima, esse trabalho é uma pequena síntese da monografia (que será atualizada e transformada em livro) apresentada por mim, no último dia 18 de setembro, para obtenção do título de especialista em Jornalismo e Novas Linguagens, no Centro de Pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba. Sintetizar, em poucas laudas, um trabalho de 209 páginas não é tarefa fácil. Exige boa dose de discernimento na hora de resgatar os dados necessários para que nada se perca e possa, de forma concreta, resgatar os indícios dessa história. E mostrar a evolução do o longínquo 14 de setembro de 1873, quando circulou pela primeira vez o jornal O Limeirense, até os dias de hoje, com o advento da Internet, é o resultado final de todo o processo. A
história da imprensa limeirense tem início ainda no reinado de Pedro
II, e poucos anos antes do Brasil República, surgem os primeiros
jornais, como O Limeirense, primeiro jornal que se tem notícia
na vida da imprensa do município. Até chegar ao jornal literário Letras
da Província, entre outras publicações históricas e que
revelam uma face ainda desconhecida da ativa vida cultural do início
do século em Limeira.
As
primeiras publicações
O médico, professor e historiador limeirense, Reynaldo Kuntz Busch (nascido no dia 17 de novembro de 1898 em Limeira e morreu em São Paulo, no dia 30 de outubro de 1974), trata do assunto em seu livro “História de Limeira”, de 1967, onde descreve a aparição dos oito periódicos que teriam inaugurado essa fase da história do próprio município. Amparado em dados da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, ele traça, dessa forma, um primeiro perfil da imprensa limeirense: “Segundo registra a Revista do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo, Vol III, páginas 303 a 321, os primeiros jornais editados em Limeira, na era da monarquia, foram: “O
Limeirense”,
fundado e dirigido pelo dr. Virgílio Pires de Carvalho e Albuquerque,
médico baiano dinâmico e sociável, cujo 1º número saiu em 14 de
setembro de 1873. Era semanal e durou alguns anos. A
“Estrela d’Oeste”, que começou sua publicação em
dezembro de 1873, e parece ter cessado logo sua publicação. O “Democrata”,
em 1878. A “Tribuna do Oeste”, de propriedade de Juvencio
Torres, que era dono de um colégio, cuja espôsa era a professora
Maria Benedita Stein Torres, falecida em 1966 em Capivarí, com 100
anos. Esse jornal apareceu em 10-10-1886. O “Clarim”, em
1885. O “Correio de Limeira”, em 1888, cujo redator era João
de Quadros Sobrinho, e sobreviveu cêrca de 8 anos. O “Colibri”,
em 1888, de breve duração. O “Trem”, em 1889, também de
pequena duração. Não existe coleção de nenhum deles (BUSCH, 1967,
p. 222). O
Centro Municipal de Memória Histórica, junto à Biblioteca
“Professor João de Souza Ferraz”, possui algumas raridades que
foram catalogados e – de acordo com suas condições de conservação
– tratados para poder ter maior durabilidade. As condições desse
material (contendo jornais de 1900 a 1979) são razoáveis. Mas o
manuseio torna-se impossível. Os jornais mais antigos – como um de
1900, outro de 1906, entre outros – estão acondicionados em sacos
plásticos. Outros da década de 20, 30, 40 e 50, também, em estantes
identificadas por letras do alfabeto e uma brochura, escrita a mão,
com os títulos e os anos dessas publicações. Não são coleções
completas, mas os exemplares existentes servem para dar uma noção
mais exata do que era a imprensa limeirense nesse período. Nesse
inventário arquivam centenas de edições, entre os muitos títulos
de periódicos que já existiram e ainda existem e se tornou, hoje, um
“centro de memória” também da imprensa limeirense. Idealizado
pelo diretor de Cultura do Município, José Eduardo Heflinger Júnior
e catalogado pelo professor e historiador Wilson José Caritá, o
levantamento contempla edições de O Limeirense do início do
Século XX, a partir de 1901. Há, ainda exemplares raros, como os do
jornal Cidade da Limeira, do ano de 1900. De O Município,
de 1906 e 1907. E ainda, de O Imparcial, de 1922; O Comércio,
de 1929; 3 de Outubro, de 1933; O Antoniano, de 1941; Folha
de Limeira, de 1968; O Popular, de 1972 e O Comércio,
de 1973. Do mais antigo jornal da cidade de Limeira em circulação, Gazeta
de Limeira, o Centro Municipal de Memória Histórica tem inúmeras
edições, desde o ano de sua fundação, em 1931. Muitos
jornais tiveram seus títulos repetidos ao longo da história
limeirense, sem no entanto terem algum grau de afinidade ou ligação
comercial. O Jornal de Limeira, por exemplo, aparece em
diferentes períodos da imprensa de Limeira. Arquivadas no Centro
Municipal de Memória Histórica estão algumas edições, desde o início
do Século XX até o final dos anos 60. Aparecem, nesse acervo,
exemplares de 1906; e de 1963 a 1969 (pertenceu ao ex-prefeito, hoje
falecido, Jurandyr da Paixão de Campos Freire).
Esse acervo contempla, também, exemplares de grandes jornais,
como de Correio Paulistano; A Província de S. Paulo de
1909 ( que depois se transformaria em O Estado de S. Paulo); Diário
Popular; Gazeta de Pouso Alegre; Gazeta de Notícias,
do Rio de Janeiro; O Progresso de São Paulo; O Tempo,
de São Paulo; Folha da Manhã; Diário de S. Paulo e A
Gazeta, de 1954. Como também de outros jornais de Limeira, que
continuam em circulação. Assim
como hoje, já naquele período registrava-se um intenso movimento de
abrir e fechar de jornais. Em um breve levantamento, transformado
postumamente em livro (Imprensa do Interior – Um Estudo Preliminar),
o jornalista Gastão Thomaz de Almeida dá a real dimensão dessa
situação. Ele faz o seguinte registro: “Desde 27 de maio de
1842, quando em Sorocaba surgiu o primeiro jornal do interior paulista
(O Paulista), até hoje, a imprensa interiorana se apresenta com uma
história dinâmica, um abre-fecha constante de jornais. Sempre, porém,
prestando às comunidades um serviço inestimável, de tal modo que não
se pode menosprezá-la, ainda quando ela não dá sinais de ter evoluído
técnica e profissionalmente”. (ALMEIDA, 1983, p. 15). Documentos mostram que O Limeirense está entre os mais antigos jornais do interior do Estado de São Paulo. Foi fundado em 1873, pelo Partido Republicano. Houve duas principais fases de publicação: 1873 a 1900 e 1900 a 1974. Era um jornal bi-semanário e veio a tornar-se diário na década de 60 e sua linha editorial atingia todas as classes sociais. O jornal teve sua circulação paralisada em 1974, quando foi vítima de despejo através de decisão judicial, cumprida pela polícia. Os motivos dessa ação, de acordo com seu último redator-chefe, Mário Fontana, nunca foram explicados. Esta informação está publicada no O Jornal na primeira quinzena de julho de 1989, em artigo assinado pelos jornalistas João Augusto Cardoso e Daniela Calderaro. Em 1982/83 e 91 voltou a circular, em formato tablóide, e a partir de dezembro de 1999, em formato standard, ambos em impressão off-set. No seu livro “Imprensa do Interior – Um Estudo Preliminar”, Gastão Thomaz de Almeida faz algumas referências sobre O Limeirense em suas duas primeiras fases. Na
história da imprensa limeirense, um jornal merece um destaque
especial. Embora não fizesse parte da mídia cotidiana – era mensal
e voltado à literatura – deu
uma contribuição inestimável ao desenvolvimento da cultura no município
de Limeira. Trata-se de Letras da Província, que chegou a ser
considerado o mais importante jornal literário e também o mais
antigo em circulação, à época, do Brasil e até da América
Latina, editado que foi por 40 anos. É assim, portanto, que no dia 15
de outubro de 1948 circula a edição número 1 do jornal literário Letras
da Província fundado
a partir da experiência do professor João de Souza Ferraz com o Suplemento
Literário da Gazeta de Limeira (ANEXO IV, p. 170), que
circulou mensalmente de janeiro de 1943 a dezembro de 1947. No
ano do falecimento do professor João de Souza Ferraz, no mês de
setembro de 1988, circula uma edição inacabada (iniciada por ele e
finalizada pelo jornalista João Batista Petrelli, que produz um texto
em forma de folheto para ser encartado nesta edição, que leva o número
241). Em dezembro de 1988 circula a edição de número 242
comemorativa dos 40 anos de Letras da Província e que traz, na
sua primeira página, além da alusão à data, o mesmo texto de João
Batista Petrelli, sobre a morte do professor João de Souza Ferraz e
as incertezas sobre o futuro do jornal. A
essas histórias somam outras, como o jornal Folha de Limeira, fundado
em maio de 1968, por um grupo político ligado à Arena (Aliança
Renovadora Nacional) e que, em 1972, adquirido por Orlando José
Zovico e José Luís Soares (proprietários da então Rádio Jornal AM
e FM), transforma-se posteriormente em Diário de Limeira, que
circulou até 1981. Por 90 dias o Diário de Limeira circulou
em off-set, até o seu fechamento. A Tribuna, ou
o “semanário de reivindicações de Limeira e Região”,
foi fundada pelo jornalista Osmar Guarino Cassarotti, no dia 2 de
setembro de 1974, que tinha sua sede no tradicional bairro da Boa
Vista, durou até o final de 1984. O jornal Realidade Literária
foi criado pelo jornalista João Batista Petrelli, em 1978 e o jornal
Acontece, lançado por Ricardo Marino Galzerano em 1978, também
fazem parte dessa história, assim como o Limeira Hoje, que
nasceu no final de 1978, através de Mario Giuseppe Galliani Fontana. O
jornal Cidade de Limeira circulou pela primeira vez no dia 15
de setembro de 1984 em Limeira. De propriedade do ex-prefeito Mattos
Silveira, ele tornou-se posteriormente Folha da Cidade e durou
até 1998. Correio de Limeira, Imprensa Imparcial,
Novo Tempo, Opinião Jovem, O Jornal, Editor Esportivo, O Cidadão,
Jornal do Parque, Folha Cidade de Limeira, Folha Regional, Jornal
Bairro em Bairro, O Vigilante Ecológico e o mais recente,
Jornal Popular de Limeira, são outros títulos que estão
descritos no trabalho que realizei e de forma detalhada. O
desenvolvimento da Comunicação
Limeira vem, desde o final dos anos 20, registrando várias
publicações periódicas no formato revista. A cidade conta, no ano
de 2003, com quatro revistas regulares e que estão há um bom tempo
no mercado. A mais antiga em circulação é a Revista Povo,
fundada em 14 de fevereiro de 1984 e que circula até hoje. Em
seguida vem a Expressão Regional, fundada em 10 de agosto de
1993 e, ainda a Revista Mulher, que teve sua primeira
edição circulando em novembro de 1999. A mais recente, a revista Múltipla,
circula desde setembro de 2003 e já está em sua segunda edição.
A revista Pauta, que fez história na imprensa limeirense e a
revista Acontece, fundadas nas décadas de 1970 e 1980,
inauguraram essa fase mais recente dessa história. Assim como foram
encontrados, também, exemplares da Revista de Limeira de 1926 e
1946 e Limeira em Revista, de 1953.
No
mês de fevereiro de 1927 a Revista de Limeira trazia, às páginas
26 e 27, uma entrevista com o professor e jornalista Luciano de Araújo,
então redator-chefe de O Limeirense, com o objetivo de contar
a trajetória da história da imprensa limeirense, no seu pouco mais
de meio século de existência, onde ele cita muitos títulos dos
quais não foram encontrados exemplares ou documentos, a não ser esse
relato. Em 1946, a Revista de Limeira volta a repetir essa história,
com novos títulos, dos quais alguns sem comprovação.
A essas publicações soma-se, ainda, a revista Cidade, fundada por
José Fernando Naidhig em 1990, e que mais tarde passou a se chamar
Cidade Atual e posteriormente, Atual Interior. Já entre os anos de
1986 a 1998, outras revistas circularam em Limeira, porém não
conseguiram se manter, como Diálogo, A Página, Revista
Limeirense, tentado resgatar o nome da antiga Revista
Limeirense, que começou a circular em outubro de 1969. E,
ainda, as revistas Época, Universo Esportivo, Athos,
Bate Papo e a Revista de Limeira – Bairro em
Bairro, que apesar de ter editado apenas quatro edições, tem
uma história rica e interessante.
As emissoras de rádio possuem importante parcela de contribuição
na história da imprensa limeirense. Mesmo porque têm nos programas
jornalísticos, em especial as emissoras de AM, o seu ponto forte. A
Rádio Educadora AM, a mais antiga da cidade – e uma das
primeiras do Interior do Estado – por exemplo, tem o mais antigo
jornalístico no ar: a Voz do Povo, criado por um de seus
fundadores, Victório Bortolan, que o apresentou desde 1951 a 1990,
ininterruptamente, quando veio a falecer. E a Rádio Jornal AM
(hoje Mix Regional), teve nos anos 70, o Repórter Fumagalli,
em duas edições de 20 minutos: uma às 11h25 e outra às 18h25,
que eram diárias. E quando o prefixo anunciava o noticioso, a
cidade costumava parar para ouvir.
A Mix Regional AM, sucessora da Rádio Jornal, mantém
hoje três programas jornalísticos fortes e, até as emissoras FM,
como a Rádio Magnificat (católica) e a Fortaleza
(comunitária), têm no jornalismo, algum destaque. Em menor grau a Estereosom
FM (do mesmo grupo da Educadora) e a Jornal FM,
também contribuem com sua parcela de informação, com programas de
leitura de jornais e análises de notícias.
A essas emissoras, juntam-se a Rádio Magnifica FM,
uma emissora educativa ligada à igreja católica de Limeira
e a Rádio Comunitária Fortaleza FM, fundada em 2001, que é
a mais recente.
Mais
recente que a história da rádio, a TV em Limeira tem pouco mais de
14 anos e começou com a extinta TV FR, do deputado Fausto
Rocha, em 1989. Com sua concessão para geração de imagens a partir
de Limeira, a TV FR passou por três mudanças até chegar onde está
hoje, a Rede Família, controlado pela Igreja Universal do
Reino de Deus, do bispo Edir Macedo: em 1991 foi adquirida pela Rede
Thathi, que manteve a FR no ar até 1994. Em 1996 a Thathi
passou a ser Rede Família, com a qual está até hoje. Autorizada
a funcionar no dia 6 de junho de 1989, a TV Jornal – hoje Sistema
Jornal de Rádio e Televisão –
teve sua licença para entrar em operações
no dia 23 de julho de 1993 e, no dia 10 de dezembro daquele
ano, levou ao ar, pela primeira vez, o Jornal da Cidade. A TV
Jornal era afiliada TVE do Rio de Janeiro e, mais
recentemente, teve autorização para ser geradora de sua própria
programação. Já o Grupo Galle de Comunicação mantém,
desde fevereiro de 2001, o jornal Mix Regional, que vai ao ar através
da TVB de Campinas, afiliada do SBT. Com o status de
produtora independente, ela retransmite a partir de seus estúdios de
Limeira. É uma história que precisa ser contada e merece ficar
registrada daqui para a frente.
Até meados dos anos 70, Limeira não possuía nenhuma agência formal
de publicidade e propaganda. Era a chamada “era do reclame”,
segundo Raphael Gullo Neto, precursor desse tipo de atividade, quando
em 1975 fundou a Raph Propaganda e Planejamento Visual S/C Ltda,
hoje Plenna Comunicação Integrada. Nesse período, entre o fim da década
de 1970 e início dos anos 80, surgiram a VM&T e Clipp.
A primeira era uma sigla que significava Valdemir Machado e Terezinha,
os seus diretores e proprietários, que chegou a fazer concorrência
com a própria Raph. E a Segunda era do publicitário Paulo Túlio,
que mais tarde viria inclusive a trabalhar como redator na própria Raph.
Ambas, porém, tiveram vida curta.No final dos anos de 1980 e ao longo
de toda a década de 90, surgiram novas agências e o segmento cresceu
muito em Limeira. Ainda a partir do ano 2000 mais algumas nasceram: a Planejamento
& Marketing foi criada em julho de 1988; a Contin Marketing
e Design, iniciando seus trabalhos com comunicação no final da década
de 80; a Du Marketing, que nasceu Upper Marketing, fundada em
1994; a Índice Propaganda surgiu em março de 1995; a Dephinitiva
foi fundada em maio de 1995; a Ponto A Ponto Comunicações S/C
Ltda., em 1997 e a M9 Comunicações, fundada em 2000; a Base
Comunicações, em janeiro de 2001. Duas empresas de Assessoria de Imprensa - a Presscom Comunicações, a partir de 1999 e a Sant’anna Moreira Comunicações Ltda, em 2003 – completam essa sequência, que tem, ainda: a Faculdade de Comunicação Social, através do ISCA Faculdades e três sites jornalísticos, Tiro&Queda, Diário de um Pacóvio e Agência Nova, que é um laboratório dos estudantes de Jornalismo do próprio ISCA. Na questão da Faculdade de Comunicação, cabe um registro importante: Victorino Prata Castelo Branco, que residiu em Limeira entre as décadas de 20 e 30 (foi colaborador de O Limeirense e aqui teria fundado dois jornais A Patria e O Comércio) é considerado o autor do primeiro manual de jornalismo que se tem notícia no Brasil, apresentado em outubro de1943, no auditório Associação dos Profissionais de Imprensa do Estado de São Paulo. A imprensa corporativa, composta por jornais empresariais, sindicais, de clubes, de associações, religiosos, oficiais, entre outros, num total de 55 títulos diferentes, também faz parte dessa história.
Os
jornais “alternativos” Outro
setor da imprensa limeirense que vem procurando se fortalecer nesses
últimos anos é o dos jornais chamados “alternativos” (conceito
que, nesse caso, não está aplicado de forma correta, uma vez que
eles pretendem apenas se contrapor a chamada imprensa tradicional da
cidade e não substituí-la,
como alternativa de leitura). Como a grande maioria deles se localiza
nos bairros, seus fundadores, que também são seus
atuais proprietários, vêem
de fato nesse tipo de imprensa, uma alternativa aos chamados
“grandes” da mídia local. Longe
de serem apenas “caça-níqueis” (como defendem as pessoas que
desconhecem esse tipo de imprensa, através de uma visão distorcida
dos jornais tradicionais), eles querem se fortalecer em seus bairros,
junto a essas comunidades, tornando-se uma opção a mais de leitura e
também de reivindicações por parte dessas mesmas comunidades. Esse
segmento da imprensa também tem o seu viés ideológico e econômico
e sabe muito bem por que surgiu. E onde
pretende chegar. O
mais antigo deles é o O Noticiário de Limeira, que circulou
pela primeira vez no mês de junho de 1989. O jornal Limeira 2000
circulou, pela primeira vez, em novembro de 1990 e a partir de janeiro
de 2001, ele começa a circular como Limeira News. A Folha
do Morro Azul surgiu em outubro de 1997. Em seguida vem
Jornal Paratodos foi fundado em junho de 1999 e o Jornal
da Vista Alegre e Região, maio de 2001, o Jornal da Vista
Alegre e Região (ANEXO XXV, p. 192). A Tribuna Popular
nasceu em abril de 2002. Já o Notícias do Povo foi
fundado em 1999 e o Jornal União dos Bairros em agosto de
2002. E para garantir um desenvolvimento melhor e pelo princípio da
aglutinação de pequenos negócios, em julho de 2002 nasce a Associação
dos Proprietários de Jornais Alternativos de Limeira, Aprojal,
justamente para defender o interesse desses pequenos jornais de
bairro. Já
o “fanzine”, Diário Tigers nasceu em 1989 e pode, esse
sim, ser considerado um “alternativo” e é, hoje, bastante
conhecido pela sua irreverência, em especial quando faz suas
brincadeiras com a raça negra. E o detalhe mais interessante nisso
tudo, é que seu fundador, José Augusto Corrêa, conhecido como “Gu
do Tigers”, é justamente um representante da raça negra. Dois diários e um semanário
Limeira tem, hoje, em circulação, dois jornais diários. Um, um diário
integral, a Gazeta de Limeira, que circula de segunda a
segunda; e o outro, com a sua circulação de terça a domingo, o Jornal
de Limeira. E um semanário, a Folha de Limeira, fundada
em setembro de 1997, com o nome Direito de Saber. O outro
semanário existente, o
8º Dia, fundado em abril de 2003, deixou de circular no último
mês de setembro. A Gazeta de Limeira é a mais antiga (17 de maio de 1931, época em que circulava O Limeirense, que defendia os interesses do Partido Republicano) e, portanto, tem uma história bastante sólida e repleta de detalhes e curiosidades. Jornal com raízes na segmentação política à época de seu lançamento – fundado para defender os interesses do Movimento Constitucionalista e, por isso, fora patrocinada por um grupo de políticos locais, seguidores desse movimento – a Gazeta de Limeira é um dos mais tradicionais e de maior penetração no município e parte da micro-região de Limeira, tendo sua tiragem auditada pelo Instituto Verificador de Circulação, IVC. Com 70 anos de existência, foi na década de 70, quando Waldemar Lucato assumiu a sua direção que o jornal deu início à sua era desenvolvimentista. Tri-semanário até então (havia já passado pela fase de diário e até bi-semanário), ele volta a ser, a partir de 2 de fevereiro de 1980, diário, circulando então de terça a domingo. Com a morte de Waldmer Lucato, no dia 21 de abril de 1996, assume a direção geral do jornal seu filho, Roberto Lucato, que continua os investimentos iniciados pelo pai. Esse período teve início, no entanto, em 1981, a partir do fechamento do Diário de Limeira, até então único diário na cidade. A partir dos anos 90 chegaram a impressão em off-set, as cores, a edição de segunda-feira e a Internet, que começou a dar novo ritmo ao seu desenvolvimento. O Jornal de Limeira, hoje o principal e único concorrente da Gazeta, circulou pela primeira vez no dia 10 de abril de 1982 menos de um ano depois que seu fundador, jornalista Djalma Martins, havia vendido a revista Pauta. Desde seu primeiro número e com periodicidade semanal, o jornal era impresso em off-set, no formato tablóide germânico e em papel branco. O Jornal de Limeira foi, sim, o primeiro jornal da imprensa limeirense, em aplicação de cores em jornal, no sistema off-set. E além do próprio Djalma, Agda Santos também participou dessa iniciativa e ambos são, até hoje, os proprietários e diretores do JL, como é conhecido. No dia 16 de fevereiro de 1985, quase três anos após a sua fundação, o JL passa a circular duas vezes por semana, ainda como tablóide germânico, sem ter gráfica própria. E com a edição de 20 de dezembro de 1985 ele passa a ter gráfica própria (off-set), uma Katu Set, 550, porém plana e não rotativa. No ano de 1986, com a edição do dia 15 de maio daquele ano, ele passa a ser diário. E foi também a primeira edição com capa colorida de um jornal impresso em off-set em Limeira. a mudança de formato, entretanto, só aconteceu em 1989, com a edição do dia 15 de junho, quando ele passa para o “standard”, com a aquisição de uma moderna rotativa, de fabricação norte-americana, Harris V15. Uma impressora pequena, com duas unidades, que hoje já somam sete. O jornal passa a ser impresso em cores, em suas edições diárias, com a edição do dia 5 de janeiro de 1996. Em meados da década de 90 surge a Internet e, com isso, também o Jornal de Limeira experimenta uma evolução mais rápida, até chegar onde está hoje. A dinâmica do “abre e fecha” na história da imprensa em Limeira ganha, a cada dia, novos contornos. E ao mesmo tempo que alguns veículos de comunicação saem de circulação, outros aparecem para enriquecer essa trajetória que teve início em 1873. E a partir da segunda quinzena de agosto e primeira quinzena de setembro de 2003, três novos órgãos de imprensa fazem parte do cotidiano dos limeirenses. Um jornal mensal, de vocação política; uma revista, também mensal (a Múltipla já citada no início deste artigo), voltada à vida da cidade, nos seus aspectos social, político, econômico e cultural e um novo “fanzine”, quinzenal. Os Piratas que teve sua primeira edição lançada no final do mês de agosto e, a partir da segunda, também deixou de circular. E, também no final do mês de agosto de 2003, circulou a edição inaugural do jornal Opinião Pública. De periodicidade mensal, no formato standard e impresso a cores, com oito páginas, o jornal é ligado ao grupo político que dá sustentação ao suplente de deputado pelo PDT, Silvio Felix da Silva. Embora não traga no expediente o nome do político – tem como diretora Renata Giusti e jornalista responsável Carlos Alberto Fiore, foi Silvio Felix quem assinou o editorial da edição inaugural da publicação, cuja tiragem é de 60 mil exemplares. Com distribuição domiciliar gratuita, o Opinião Pública atinge praticamente todas as residências de Limeira. Este estudo, de alcance histórico e comunicacional, que procurou levantar todos os casos envolvendo a imprensa limeirense, desde o primeiro registro documentado de sua existência a partir dos últimos 25 anos do Século XIX, quando surgiu o pioneiro O Limeirense, a 14 de setembro de 1873, ao advento da Internet como ferramenta da própria comunicação, não pode ser considerado um fato pronto. Acabado. E jamais teria – ou terá – tal pretensão. Pois ao se contar a história passada, está se fazendo a presente e preparando a futura. Que só poderá ser contada, quando já for passada. Tem, porém, uma intenção, a de ser o primeiro trabalho nesse nível e com tamanha profundidade, que deverá, com certeza, despertar a curiosidade e aguçar o interesse por novas pesquisas no campo da Comunicação Social em Limeira. E o que é mais importante: não desprezou uma informação sequer dos trabalhos acadêmicos já produzidos na universidade, que foram o primeiro norte para que pudesse ser iniciado e atingisse seus objetivos. Demonstrou uma preocupação atual – e agora permanente – de se enfatizar a imprensa regional, valorizando-a e atribuindo-lhe (e por quê não?) a sua característica de empresa dentro do contexto de uma sociedade capitalista.
* O presente trabalho foi publicado no jornal O Limeirense, edição de dezembro de 2003, páginas 4 e 5, com as respectivas fotografias, do acervo do autor.
** Antonio Cláudio Bontorim, 45, é jornalista formado em 1976 pela UNIMEP, com pós-graduação em Reportagem Geral na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), e em Jornalismo e Novas Linguagens, pela UNIMEP. É um dos autores do livro “Jornais Centenários de São Paulo”.
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