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__Pesquisa:

Pesquisa mostra o início da imprensa limeirense e traça um perfil do desenvolvimento da comunicação local *

Trabalho realizado pelo jornalista Antonio Cláudio Bontorim, (foto) que relata os 130 anos de história da Imprensa de Limeira (1873 a 2003), será transformado em livro.

De 1873 a 2003: Os 130 anos de História da Imprensa e o Desenvolvimento da Comunicação em Limeira”. Com esse título e um trabalho de pesquisa de mais de sete meses ininterruptos – que resultou numa monografia de 209 páginas – o  jornalista Antonio Cláudio Bontorim  conclui seu curso de Pós-graduação em  Jornalismo e Novas Linguagens, pela Universidade Metodista de Piracicaba, Unimep, tornando-se especialista na área. A defesa pública da monografia, perante uma banca composta por dois professores-doutores e mais seu orientador (o professor Adolpho Carlos Françoso Queiroz, doutor em Comunicação Social pela UMESP), aconteceu no último dia 18 de outubro, às 9 horas, no Centro de Pós-graduação daquela Universidade. O trabalho foi aprovado, por unanimidade, com o conceito “A”, com louvor.

Segundo o jornalista, o trabalho – inédito em Limeira – procurou, através de entrevistas, pesquisas junto aos arquivos das empresas, ao Centro de Memória Histórica, da Biblioteca Municipal “Professor João de Souza Ferraz” e, ainda, a arquivos particulares, retratar de forma fiel – dentro da medida em que os dados estavam documentados – o surgimento da imprensa, em 14 de setembro de 1873, quando foi editado o primeiro número de O Limeirense, até este ano de 2003. Nesse intervalo de tempo, de acordo com Antonio Cláudio, foram surgindo novas informações e, à medida em que se sucediam as orientações, foi sendo traçado um perfil da Comunicação Social em Limeira, abordando-se, dessa forma, a imprensa corporativa (jornais empresariais, de associações, entidades, religiosos entre outros), os chamados “jornais alternativos” e de bairros, revistas, emissoras de rádio e TVs, agências de propaganda, sites jornalísticos e até mesmo o curso de Comunicação Social do Isca Faculdades.

“É evidente que apesar do esmero e detalhamento da pesquisa, alguma coisa deve ter ficado para trás”, conta o jornalista, que prossegue: “mas como esse é um trabalho que não se pretende acabado por si só, eu espero que tenha sido o pontapé inicial e que novas iniciativas possam, daqui para frente, dar continuidade à preservação dessa memória, tão importante para nós jornalistas e profissionais da comunicação e para a própria sociedade”. O trabalho, de acordo com ele, apresenta revelações fascinantes e revela um mundo até então desconhecido sobre o que representou os mais diversos títulos de jornais e revistas surgidos desde o último quarto do século XIX, até os dias atuais. “E uma dessas histórias, que procurou traçar com muito esmero, foi a do jornal literário ‘Letras da Província’, fundado pelo professor João de Souza Ferraz, a partir de sua experiência com o ‘Suplemento Literário Gazeta de Limeira’ e que durou 40 anos, que parou de circular com a morte do professor, em 1988”, conta o jornalista.

Vale lembrar também, que trata-se de um “estudo histórico-descritivo”, ou seja, quantitativo. “A idéia, na realidade, foi quantificar o número de títulos surgidos nesse período, traçando-se um breve relato histórico de cada um deles, portanto sem análises abrangentes de conteúdo”, explica. No trabalho – que deverá se tornar um livro em breve – foram documentados cerca de 133 títulos de jornais e revistas. E outros 24 citados em artigos de duas revistas (uma de 1926/27 e outro de 1946), mas que não foram encontrados em arquivos ou pelo menos que existam documentos que compro-vem a sua existência. Foram descritas, ainda, sete emissoras de rádio (entre AM e FM); cinco de televisão, dez agências de propaganda, duas empresas de assessoria de imprensa, três sites (que podem ser considerados jornalísticos) e uma faculdade de Comunicação Social. “Ficará difícil, daqui para a frente, em alguns casos, sustentar o pioneirismo de algumas iniciativas. A não ser, é evidente, os mais atuais e que datam já do final dos anos 80 e toda década de 90, como a utilização do off-set e cores nas edições diárias dos jornais locais”, conclui o jornalista.

A Banca Examinadora foi composta pelo professor José Salvador Faro, doutor em Ciências da Comunicação pela USP que, além de historiador, professor do programa de Pós-graduação em Comunicação pela UMESP, é membro da Comissão de Especialistas de Comunicação do MEC e autor do livro “Revista Realidade,1966/68, tempo de reportagem”, Editora Ulbra/RS. E, ainda, pelo professor-doutor Juarez Tadeu, que é jornalista, professor da UNIMEP e da Universidade de Mogi das Cruzes.

Quem é o jornalista

Antonio Cláudio Bontorim, 45 anos, é jornalista profissional formado, com atuação em vários órgãos de imprensa de Limeira e região. Começou a atuar em Limeira em novembro de 1980, quando assumiu a chefia de Redação da extinta revista “Pauta”. Após essa experiência, em 1984, assumiu o jornal “A Tribuna”, onde reestruturou o projeto gráfico do semanário, levando-o à condição de diário. Foi o responsável, também, pelo desenvolvimento do projeto gráfico e editorial do jornal “Cidade de Limeira” – depois “Folha da Cidade” – do ex-prefeito Waldemar Mattos Silveira. Nesse período, fez Pós-graduação em Reportagem Geral (Uma abordagem sobre a extinta revista Realidade) na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP). Entre os anos de 1989 e 1992 foi diretor de Imprensa da Prefeitura, tendo sido o criador do Jornal Oficial do Município de Limeira (hoje diário). Planejou, criou e editou, por oito anos, o caderno “Livre Iniciativa” do Jornal de Limeira. Como especialista em comunicação empresarial, ele atende várias empresas  na produção de jornais internos.

No último mês de setembro, com a defesa da monografia sobre a história da imprensa limeirense, concluiu o curso de Pós-graduação em Jornalismo e Novas Linguagens, da UNIMEP. É um dos autores do livro “Jornais Centenários de São Paulo”, que conta a história de oito dos mais importantes jornais que já completaram cem anos e continuam circulando até hoje. É autor, também, do ensaio jornalístico “País Fast Food: A Selva no Século XXI”, publicado no site www.baraoemrevista.org,  de Campinas,  que analisa, de forma comparativa, os livros de um escritor e um jornalista norte-americanos: “The Jungle” (A Selva), de Upton Sinclair, publicado em 1906 e republicado em 1981 nos EUA e “País Fast Food”, de Eric Schlosser, publicado em 2001; eles tratam de dois monopólios, o primeiro da indústria frigorífica e, o segundo,  das redes que servem comida rápida.


* Matéria publicada no jornal O Limeirense, em dezembro de 2003, pg. 3.

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