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O LIMEIRENSE |
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História da Imprensa limeirense
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Limeira por dentro e por fora Dr. Luciano Esteves Junior * Artigo
sobre a história ou origem de Limeira publicado no jornal Na época em que nosso território não tinha sido ainda bafejado pelas auras benéficas da civilização; quando só o dominavam o pulso férreo do selvagem e as garras aduancas das feras, sob a copa folhuda das árvores anosas e gigantescas, entenderam os antigos tropeiros, geração de homens esforçados e empreendedores, bandeirantes calorosos de progresso nascente deste Brasil fecundo e grandioso, de abrir uma picada, natural prolongamento da estrada que da então povoação de Campinas, hoje uma das mais progressivas cidades de nosso Estado, vinha descansar nos limites desta terra, em demanda ininterrupta dos impérvios sertões desta antiga província. Esses tropeiros, cuja principal preocupação era palmilhar terras novas ou desconhecidas, obcecados por essa curiosidade proveitosa, bem diversas por certo daquela outra ignobio de espiar e ouvir pelos orifícios das fechaduras, porquanto pretendiam auferir licitamente proventos que lhe oferecia a uberdade singular do solo abençoado onde tiveram a dita de nascer; êsses homens criados no trabalho, e para o trabalho, foram precisamente os primeiros representantes da incipiente civilização brasileira que aqui pisaram. Instruídos por uma engenharia muito rudimentar e muito sua, tendo por único instrumento a sua longa prática, as suas foices e seus machados riscaram no nosso território o primeiro traço de progresso: uma estrada. O doce marulhar das águas do ribeirão Tatú, casando-se com o chilrear festivo e harmonioso do passaredo alegre e descuidadoso e o perpassar cantante da brisa pelas franças do arvoredo, foram, por assim dizer, os primeiros acordes do hino majestoso com que a própria natureza festejada do trabalho. A estrada foi precisamente aberta nas margens do Tatú, onde êsses obreiros do progresso dessedentaram-se com esse licor por meio do qual quiz Deus, com sua bondade incomensurável, regalar ao homem. Canalisada a luz por entre o matagal frondoso e sombrio, começaram de atravessá-lo os bandos joviais e ruidosos, que foram também se habituando a fazer seus pousos em tôda viagem à beira do Tatú, onde mais tarde nascera e se desenvolvera uma Limeira d’alguma semente ali atirada na despreocupação, talvez, de quem põe fóra aquilo para mais nada presta... Quando se encontravam na estrada os viandantes impávidos, ainda distante daqui, e perguntavam, os que seguiam para os que regressavam, onde pousariam êstes, a resposta invariável era a seguinte: - Vamos pousar na Limeira... Era junto da árvore de refrescantes e mimosos frutos, nascida à beira do ribeirão, que os caminheiros vinham descansar das longas e extenuantes jornadas, tendo nos sonhos, quem sabe, a visão da cidade que tantíssimos anos mais tarde deveria surgir, como que por encanto, dêsse terreno sôbre o qual crepitavam as brasas do seu fogão construídos de duas pedras tôscas, em volta do qual dançavam seu Cortajaca ou Cateretê, aos sons chorosos das violas, os Stradivarius dos nossos paganines primitivos... Mais tarde, com o decorrer dos tempos, foram-se localizando aqui, aos lados da estrada, alguns dos inúmeros viandantes, velhos conhecedores da região, como que dominados pela canseira das grandes caminhadas, no intuito ainda de auferirem lucros com seus improvisados hotéis, construídos de barrotes e cobertos de sapé... Um dia, porém, o santista Cunha
Bastos, homem ativo e influente, obteve do governo de então uma
sesmaria, constituída pelos terrenos desta região e sua
circunvisinhança, aqui domiciliando-se e tomando posse de suas
terras, doando algum tempo depois a área necessária para nela ser
fundada a povoação, o que se efetuou, segundo o notável geógrafo e
historiador dr. Alfredo Moreira pinto, na sua obra monumental -
Dicionário Geográfico do Brasil - no ano de 1824, auxiliada essa
fundação pelo concurso poderoso de alguns lavradores atraídos pela
fertilidade do solo.
* Dr. Luciano Esteves Junior,
juiz de direito, orador e jornalista, foi colaborador do jornal O
Limeirense a partir de 1904.
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